3/15/2006
Importe-se o bastante para ouvir
Vez por outra retiro um livro já lido da estante para uma revisão, para relembrar conceitos e estimular a memória. Esta semana voltei a ler um livro que comprei em 1997. É um livro de David Augsburger, PhD em psicoterapia pastoral, com o título em português igual ao deste post.
Excelente. Vou colocar alguns trechos para incentivá-los a comprar o livro e tê-lo por perto para consultas. Vale o investimento.
Discute de forma profunda os desafios de saber ouvir, de estar presente e disposto a compreender o outro. Mexe em águas profundas.
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Obstáculos em ouvir
- Não considerar quem está falando - "Não estou interessado nele". "Ele não tem nada a dizer, para quê ouvir?"
- Tirar conclusões prematuras - "Já ouvi o suficiente para saber onde esta discussão vai nos levar."
- Inferir de acordo com minhas expectativas - "Já sei o que você vai dizer. Posso completar a sua frase quando você faz uma pausa."
- Eliminar as ameaças - "Tenho certeza de que você não tinha intenção de dizer isso, não é possível, você não disse..."
- Ensaiar uma resposta - "Estou preparando o que vou dizer. Só estou esperando que você faça uma pausa para que eu possa interromper..."
- Rejeitar a pessoa ou a personalidade - "Você tem um jeito muito agressivo de falar. Não gosto de pessoas autoritárias, não preciso ouvir mais nada!"
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Boa parte dos nossos problemas residem numa comunicação frágil, resultante de insegurança e postura defensiva. Na verdade, concentramos nossas forças em nossas próprias necessidades e relegamos a plano secundário o esforço para a correta percepção do outro.
Já nos bastam nossos problemas, sofrimentos e dores, sempre mais nobres e importantes que os da humanidade. Centrados em nós, vamos seguindo solitários e frustrados no meio da multidão.

